
Se sou apaixonado pela Divisão 3, devo dizer que pela Divisão 4 tenho verdadeira idolatria.
A Divisão 3 transformava carros comuns e pacatos como o Fusca em verdadeiros monstros comedores de asfalto.
Já a Divisão 4 estava num outro patamar. Ela estava no degrau da liberdade total da criação. Claro que existiam limites e parâmetros para tornar os sonhos realizáveis.
Mas o projetista partia do zero, especialmente na parte mais aparente: a carroceria.
As linhas fluiam ao sabor do vento, numa época em que só aviões eram testados em túneis de vento.
Então os projetistas pensavam e viajavam nas formas que intuíam menos resistentes ao... vento.
Ventania, vento, furacão, deveriam ser os nomes dos protótipos que correram a divisão 4.
Alguém pode retrucar e dizer que os carros que disputavam essa categoria eram quase todos impulsionados pela mecânica VW.
Sim, e daí? Isso não desmerece o trabalho de nossos projetistas que elaboravam formas cada vez mais belas e que faziam a alegria dos autódromos de uma país de terceiro mundo, oprimido por uma ditadura política e econômica.
Deveria existir um panteão, um Hall of Fame para nossos projetistas e construtores de protótipos, tão comuns nos países mais "adiantados".
Como esquecer de Anísio Campos, Antônio e Heitor Ferreira, Ricardo Achcar, Salvadore Amato, Chico Landi, Tony Bianco, Max Pedrazzi, Ricardo Divilla, Irmãos Fittipaldi, Antônio Carlos Avallone, Pedro Mufatto, Ênio Garcia, Alex Dias Ribeiro e o pessoal da CAMBER, Raymundo de Paula Soares, Ary Schneider, Márcio Leitão e Enzo Scarletti (Criadores do Manta). Será que me esqueci de alguém?
Se falei bobagem me perdoem, se troquei dados, não considerem, este é um simples texto de um cabra apaixonado e a paixão nos embriaga, nos faz sonhar, viajar ao sabor do vento.