13.2.09

ANÍSIO, BIANCO, MALZONI, SOLER, GURGEL...OS BONS!

No post abaixo, meu amigo Ararê fez uma singela observação que gerou esta resposta da minha parte. A resposta ficou muito grande e virou assunto pra post. Tive vontade de xingar bastante, mas me contive.

Pois é, né Ararê.
Era para as escolas de design brasileiras exaltarem e honrarem homens como Malzoni, Anísio Campos, Toni Bianco e tantos outros anônimos que criaram carros e máquinas diferenciadas e maravilhosas.
Ninguém ou quase ninguém, sabe quem foi o professor espanhol Rigoberto Soler, da FEI. Nos anos 60 / 70 ele era "o cara" em termos de design e propostas para transportes no Brasil.

Tem hora que dá tristeza de ver o descaso com nossa memória e identidade como país. Só de me ouvir falando assim me sinto um estranho no ninho, pois nossos ouvidos não estão treinados a esse tipo de discurso.
Não fomos ensinados a exaltar ou a honrar. Somos treinados a maldizer e a fazer críticas vazias, baseadas em preconceitos e estereótipos.
Se um cara é bom em alguma área, tem que ser reconhecido não só com tapinhas nas costas (quando muito).
Deve sim ser bem remunerado, respeitado, ouvido, estimado e admirado.
Se um cara é bom, tem que servir de exemplo para quem quer aprender algo do ramo. Sem vergonha ou medo de ser feliz.

Esses meninos que estão tentando recriar o Interlagos ou o Uirapuru. Quem os está apoiando? Eles estão fazendo história! O Engenheiro Gurgel fez história com um carro elétrico nos anos 70...Ninguém o levou a sério, seu projeto morreu na praia e o Brasil ficou mais pobre, sem respeito próprio. Se tivesse tido apoio, hoje estaríamos na vanguarda da tecnologia de carros elétricos. Mas não é isso o que acontece.

Até quando não nos levaremos a sério? Até quando seremos apenas o país do carnaval e do futebol?
A responsabilidade é toda nossa. Cabe a nós, cidadãos brasileiros, olhar para o espelho e nos achar belos, criativos, inteligentes e capazes. Não apenas sensuais e bons de novela e de cama. (Será mesmo??)

Dinheiro existe, talentos também, temos uma natureza exuberante, falta apenas vontade de fazer diferente. Falta apenas a coragem para sorrir com a cara limpa, feliz pelas conquistas, pela vitória, pela realização.

Ah, o sabor da vitória! Como é gratificante e doce. Já imaginou se a Gurgel ainda existisse e exportasse seus carros elétricos para todo o mundo? Já pensou no Toni Bianco sendo homenageado com o "Compasso D'Oro", o Oscar do design autombilístico? A história podia ser diferente.

Mas por uma questão pessoal, não gosto de ficar chorando o leite derramado. Prefiro aprender com os erros do passado e não cometê-los mais. Por isso repito que só depende da gente.

O mestre Jesus disse que ninguém pode amar os outros se não amar a si mesmo. Então vamos começar por aí. Vamos nos amar e nos valorizar. Agindo assim ficará mais fácil fazer o mesmo com os que estão próximos.

E como diria Rolando Boldrim, VIVA O POVO BRASILEIRO.

Vamos fazer uma brincadeira?
E aí, o que você faz que ninguém faz igual? Estou falando sério! Você é bom em que?
Use essse espaço pra levantar sua estima. Eu sou bom em desenhar...pelo menos é o que dizem. E você? Diz aí.

17 comentários:

kaio matos disse...

Belo texto Maurício. Concordo com seu ponto de vista. E já que é pra falar da gente vou dizer que minha mulher adora a feijoada que faço. Especialmente o caldo de feijão com pimenta, kkkkkkk.

Cesar Costa disse...

Eu bebo bem....

Mauricio Morais disse...

kkkkkkkkkkkk. já é alguma coisa né, Cesar?!

Cesar Costa disse...

E também como bem... Carne viva e morta!!!!

Francisco J.Pellegrino disse...

Tento ser uma boa pessoa...

Felipão disse...

Eu dirijo bem, modestia parte. E tenho excelente desenvoltura em público. heuheuhueh excelente esse exercício... Quanto a indignação de vcs, compartilho cada palavra. E aquele absurdo que Gurgel ouviu nos tempos da faculdade, transformou -se em destino, infelizmente: "Gurgel, carro não se fabrica... se compra..."

Mauricio Morais disse...

Gostei Felipão. Rapaz, ainda não li o livro sobre o Gurgel. Não tive coragem. Outro dia comprei aquele que conta a história da equipe Copersucar. Lí em uma noite, terminei a leitura numa tristeza só.
Quando pe que vamos ter biografias com final feliz?

breno disse...

meu sou bom pra conversar gosto mt ;D

Luís Augusto disse...

Belo texto, Maurício. Acho que um dos problemas da nossa cultura é o de nivelar todo mundo por baixo, não premiando os brilhantes, mas sobrevalorizando os medíocres (tema de uma coluna do Stephan Kanitz, eu acho). Por isso, grandes nomes como os que você citou acabam virando assunto apenas para aficcionados como nós. Eu acrescentaria o Ari Antônio da Rocha, criador do Aruanda, um minicarro que teve proposta concreta de produção na Austrália, mas que o Ari acabou recusando por patriotismo e acabou se arrependendo depois, como ele mesmo conta.

Respondendo à enquete acho que sou um músico razoável!

Ararê Ilustração disse...

Maurício, temos hoje o designer André Soler (que apesar do sobrenome não tem nenhum parentesco com o espanhol Rigoberto Soler)que junto com nosso amigo, o engenheiro Jaime Gulinelli da "GT Racecars" de Campinas, estão a frente do projeto do novo Uirapuru.
Não sei como anda o projeto, mas são profissionais sérios, competentes e apaixonados por aquilo que fazem e que precisam de apoio.
Espero, e torço por isso, que eles consigam concretizar esse projeto do novo Uirapuru, mas quando caio na "real" e vejo em que país estamos, sinceramente...

Ah, sobre a enquete, minha paixão (além de minha filha claro)é desenhar e pintar, e até que levo jeito pra isso, hehe.

Um abraço!

Joel Marcos Cesetti disse...

Muito bom!

Eu levanto pela manhã e digo,eu sou bom no que faço.
Respondendo a enquete: Eu sou bom em ouvir e respeitar as pessoas todos os dias.

ABS

Anônimo disse...

Ararê,

o André Soler é neto do Rigoberto, se não me engano, ele fala que não mas é sim.

Sei lá pq da maluquice, mas pelo que já ouvi falar ele é meio dado a essas doideras.

O projeto do Rigoberto era bom,ainda mais se considerarmos a época em que foi feito, mas essa recriação do Uirapuru parece mais com essa história da Obvio, planos e mais planos, ainda mais vendo as soluções técnicas que seriam usadas no modelo, já falaram em motor Wankel, Judd v10, acho que no final vai ficar tudo na garganta mesmo.

abs

Marcos Sampaio

Germano disse...

texto interessante...respondendo a pergunta, eu desenho e toco razoavelmente bem

carretera disse...

Pra ser neto do Rigoberto Soler tem de ser filho do Brar Soler, que tem firma de design automotivo e deu uma palestra sobre o Brasinca/Uirapuru na "Carro do Brasil" em 2004, se não me falha a memória (apenas no tangente à data).

Gilmário Alencar disse...

Excelente texto, gostei muito mesmo, acabei de conhecer seu blog pois estava pesquisando sobre Anísio Campos para um trabalho da faculdade e como estudante de design de produtos admiro muito o trabalho deles, e é dificil ve-los esquecidos. Assim como Gurgel, antes tivemos outra tentativa de industria automobilistica nacional, a IBAP de Nelson Fernandes que vale ser lembrada também, seu IBAP Democrata era bem avançado para a época.
Abraços!

Anônimo disse...

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Anônimo disse...
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