A pedido do meu amigo de fé, irmão camarada...que Roberto Carlos que nada, Sidney Cardoso isso sim, estou vetorizando uma das jóias da coroa do automobilismo brasileiro. O Fitti-Porsche.
Carro criado pelos irmãos Fittipaldi.
No excelente site do Anísio Campos encontra-se dados sobre a máquina. Mas estou sem tempo pra pesquisar. Por favor, alguém poderia contar a história desse foguetinho pra nós, enquanto eu o ilustro? Postem seus comentários, etc, etc.
Vai virar poster, pedidos pelo meu e-mail, please.

Comentários

Sidney Cardoso disse…
Maurício
Ontem fiquei sem luz, devido um temporal, portanto, sem internet.
Estou passando para desejar aos amigos que fiz neste blog um Natal com muita paz, saúde, alegria e que em 2007 o Senhor continue a abençoá-lo com sua arte.
Atendendo seu pedido, amanhã volto para falar um pouco deste carro que tive o prazer de ver de perto e era chamado na época de "foguetinho".
Sidney Cardoso disse…
Maurício
Espero que tenha tido um ótimo ANO NOVO.
Andei ocupado estes dias, desculpe-me só hoje encontrei tempo de vir aqui atender seu pedido.
Vou falar pouco, pois tem bastante coisa no site www.ind.br no título : automobilismo brasileiro 60 a 80. Quem quiser saber mais clica ali , depois vai descendo a página e clica no título 22- O "Fittipaldi-Porsche" - 1967.
Vou falar no próximo post, para não ficar longo, coisas que não estão escritas lá. Falarei como admirador que fui deste carro. Ok?
Sidney Cardoso disse…
Bem, quanto a este carro que fui um grande admirador tive dupla sorte:
1- Saber de sua construção antes dele ser levado à pista, pois Wilsinho havia me falado sobre ele nesta fase.
2- Ter participado da corrida de estréia dele, Mil Milhas 67. Nesta, corri em dupla com Wilson Marques Ferreira, com a Alfa Giulia.
Como Wilson Ferreira fez a largada, de fora pude apreciar melhor o que vou contar a seguir.
Nesta Mil Milhas vieram nossos irmão portugueses do Team Palma, com dois Lótus 47, um Lótus Cortina que havia sido pilotado por Jim Clark e um Porsche 911S.
Naquela época tinhamos pouca informação sobre o automobilismo em Portugal, todos nós participantes quando soubemos dos carros que viriam pensávamos que eles iriam dar um "passeio" aqui.
Pois bem, para surpresa agradável pra nós e para o público que lotava Interlagos, logo na primeira volta Wilsinho disparou na ponta, dando verdadeiro show.
Como estava de fora no início, corria a pé pra trás dos boxes ( circuito antigo) via que Wilson era o único piloto que não acendia a luz do freio na curva do Mergulho, fazia de "pé embaixo".
Ele e o Fitti-Porsche deram um verdadeiro Show que empolgou a todos.
Já na segunda volta estava com 15 segundos de diferença sobre o segundo colocado.
Pena que deu um princípio de incêndio e foi obrigado a abandonar.
Vou falar sobre sua segunda corrida em outro post.
Sidney Cardoso disse…
A segunda corrida do Fitti-Porsche foi a Corrida Internacional Luso-Brasileira, Prova Almirante Tamandaré, uma semana ou 15 dias depois das Mil Milhas 67, praticamente com os mesmos concorrentes, esta no Autódromo do Rio, disputada em duas baterias de 40 voltas cada.
Wilsinho ganhou a primeira com ele.
No intervalo da primeira para segunda bateria desabou uma chuva e, infelizmente, entrou água no tanque de gasolina do Fitti-Porsche, de modo que ele ficou de fora.
Sidney Cardoso disse…
Estas corridas que descrevi foram em dezembro de 67.
Em 68 Wilsinho ia correr com ele no Circuito de Petrópolis, prova que asim como as anteriores, também iria participar com a Alfa Giulia, só que nesta junto com meu irmão.
Quando wilsinho chegou nos treinos e experimentou o piso de paralelepípedo, nos falou que não tinha condição de participar com o "Foguetinho".
Ele estava super certo, este carro era muito baixo, a fibra levíssima, trepidava muito.
Quem sentou nele sabe perfeitamente como era totalmente impraticável correr com ele em pista de rua de paralelepípedo.
A verdade é que os carros foram se aperfeiçoando, ficando cada vez mais velozes e as pistas de rua não se prestavam mais para recebê-los.
Bem, esta corrida foi aquela que houve vários acidentes, dois fatais e, por isso mesmo, foi a última de circuito de rua de Petrópolis.
Aproveitando a oportunidade, gostaria de deixar aqui de público meu agradecimento eterno a Wilsinho que foi o primeiro piloto a aparecer no hospital onde estava acidentado meu irmão, Sérgio Cardoso, para oferecer sangue, caso fosse necessário.
Sidney Cardoso disse…
Maurício
A outra corrida que assisti dele foram as 500 Milhas do Rio, também em 68.
Esta tenho filmada, foi uma que iria correr em dupla com Milton Amaral, no Karman-Ghia com carroceria de fibra e motor VW 1.600, sem ventoinha, com duas tomadas de ar igual ao Fitti-Fusca, devido estarmos com o motor Porsche precisando de peças.
Nesta havíamos colocado uma quarta bem curta, pois os mecânicos achavam que perderia-se menos tempo na freagem da curva Sul sem precisar reduzir.
Acontece que nos treinos percebemos que não funcionava bem, pois o motor enchia muito cedo e tínhamos que tirar o pé ainda no meio das arquibancadas para não passarmos de giros.
Combinamos então de, à noite, mudarmos a quarta marcha, voltando com a mais longa.
Milton Amaral foi treinar para pegar a mão no carro, na segunda volta esqueceu de tirar o pé o motor encheu e fundiu, com isso ficamos de fora.
Nesta o Fitti-Porsche com Wilsinho liderou com folga durante mais ou menos umas 4 horas de corrida.
Depois teve problemas com o câmbio.
Parou, não conseguindo consertá-lo, seguiu usando apenas a terceira marcha para poupar o câmbio, mas uma meia hora depois o problema se agravou e o câmbio parou de vez.
É por isso que não concordo muito quando algumas pessoas brincam chamando o Fitti-Porsche de "Carro Madrinha".
Se fosse uma corrida curta ele teria ganho.
Penso, sinceramente, que se Wilsinho e Emerson tivessem insistido mais um tempo com ele acabariam acertando-o.
Sidney Cardoso disse…
Maurício
Pesquisando meus poucos alfarrábios, e muita coisa boa que recebi do Ricardo Cunha, encontrei que o Fitti-Porsche parou na volta 178.
Esta corrida, as 500 Milhas do Rio, me enganei. Não foi esta que iria correr com o Milton Amaral, foi outra. Esta não corri, pois foi em agosto, dois meses após o falecimento de meu irmão.
Por fim, a outra corrida que assisti do Fitti-Porsche, foi dentro da pista, pois também participei com o Karman-Ghia Porsche 2.000, das 3 Horas da Guanabara 68, Prova Jim Clark.
Nesta, como em todas que vi correr, o Fitti-Porsche havia feito o melhor tempo, desta vez com Emerson Fittipaldi.
Dada a largada, a Alfa GTA de Emílio Zambello pulou na frente, seguida pela também GTA de Mário Olivetti. Nós ficamos pra trás, devido nossa primeira ser bem longa. Em terceiro vinha Emerson e eu em quarto.
Logo na primeira volta, Emerson assume a ponta na saída da curva do S.
Depois teve problemas com o trambulador, sendo obrigado a parar.
Com a parada dele assumi a ponta, mas logo depois também tive problemas com motor, parando de vez.
Darci, mecânico de Emerson, conseguiu amarrar a terceira marcha com arame e ele voltou a pista usando apenas a terceira marcha.
Quase no final o trambulador do Fitti-Porsche quebrou de vez, ficando em ponto morto e Emerson chegou à linha de chegada empurrando o carro pra ver se ainda marcava alguns pontos. Se não me falha a memória, chegou em segundo na sua categoria, ou seja, esporte protótipo e Zambello venceu a corrida.
Bem, demorei mas te contei bastante do que você me solicitou.
Continuo achando que este belo carro, Fitti-Porsche, tinha um grande potencial, assim como penso o mesmo do Simca-Achar.
Acho que falhas em carros contruídos com adaptações são comuns no início, sobretudo, pela dificuldade que tinhamos nesta época em adquirir peças, muitas eram feitas no torno.
Ainda semana passada soube pelo Wilsinho que ele havia vendido seu motor de reserva Porsche 2000, para Aylton Varanda, ficando o Fitti-Porsche com apenas um motor.
Penso que nos dias de hoje que há patrocinadores fortes, mais tecnologia de ponta à disposição, estes carros teriam no mínimo um outro completo de reserva, e, com o tempo, os problemas poderiam ser sanados.
Por tudo isso, por admirar muito este "Foguetinho", que vi diversas vezes de perto, já deixo minha ilustração encomendada.
Forte abraço!
Sidney Cardoso disse…
Maurício
Me esqueci de te contar que toda pista que o Fitti-Porsche correu, bateu o recorde dela.
Olha como são as coisas, acho que é por isso que gosto muito deste carro, pois participei e vi de perto quase todas suas corridas. Nesta semana me lembrei que ele havia participado também dos 1000 Kms de Brasília 1970, onde também corri com o Lorena-Porsche.
Procurei e achei jornal com reportagem. Nesta ele se acidentou, ficando bem destruído e estava com motor VW, era portanto, Fitti- Volks e já havia sido vendido pelos irmãos Fittipaldi.
Forte abraço.
Mauricio Morais disse…
Sidney suas histórias merecem as páginas de um livro de arte. São saborosas. Valeu.