Por hoje é só. Amanhã tem mais.
Aliás, o mais difícil fica por último. Vidros, rodas e pneus.

Comentários

Renato Bellote disse…
Parabéns Maurício.

Como sempre, nota 10!

um abraço
Anônimo disse…
Que beleza Mauricio!
Dá vontade de entrar no carro e sair andando.
Agora só falta nossa estrela ,Sidney Cardoso contar mais alguma coisa do KG em questão pra finalizar com chave de ouro.

Jonny'O
Mauricio Morais disse…
Obrigado Bellote.
Assino embaixo Jonny'O.
Sidney Cardoso disse…
Jonny'O
Fiz poucas provas com o Karman-Ghia, pq depois o transformamos em Lorena.
Como a aerodinâmica do Lorena era melhor, passamos a usá-lo.
Vamos lá ao que vc pediu.
Vou descrever as corridas que me lembro, com detalhes, como vc gosta.
Vou descrever cada uma em um post separado pra não ficar enorme, cansativo.
Primeira corrida : Prova Jim Clark, promovida pela TV Globo, em homenagem à morte deste piloto fora de série que era meu ídolo número 1.
Nunca desejei tanto ganhar uma corrida como esta.
Fiz a corrida com o Karman-Ghia ainda nas cores que recebi do Moco, preta e branca e com seu número 2.
Nos treinos Emerson Fittipaldi havia feito o melhor tempo com Fitti-Porsche, eu segundo com este Karman-Ghia.
A TV entrevistou-o e ele disse que o favorito seria eu, devido o Fitti-Porsche ainda não estar totalmente acertado.
A mesma equipe me entrevistou, dizendo o que ele falara e disse que pra mim o favorito seria ele.
Nos treinos, uma caixa preta que ficava afixada onde seria o encosto do banco traseiro, começou a jogar óleo dentro do carro.
Parei no box, relatei o problema para o mecânico Antônio da Memória.
Na verdade ele não sabia o que era, mas disse saber e colocou uma garrafa de Coca-Cola amarrada na saída do óleo, para o óleo cair dentro dela.
Perguntei : - Não é melhor ligarmos pro Moco ou pro Paulo Goulart e perguntarmos o que é isso?
Ele disse que não,( que arrependimento não termos ligado...).
Na corrida, primeira volta, sai Emilío Zambello em primeiro, Alfa GTA, segundo Mário Olivetti, tb GTA, terceiro, Emerson, Fitti-Porsche, quarto eu, Karman-Ghia Porsche 2000.
Lembra-se que te falei, anteriormente, que os Porsches ficavam na largada, devido a primeira sr muito longa?
Emerson passa todos e assumi a primeira colocação e eu a segunda.
Emerson vai pro box, devido a quebra do trambulador, aí assumo a ponta.
Nisto o óleo continua saindo do motor, enchendo a garrafa, a pressão do óleo cai e vou ao box.
Eles completam o óleo e mandam que continue.
Continuo, problema aparece de novo, pressão caindo.
Para não fundir o motor, após sair da curva do S, desligo-o e tento ir no embalo até o mais próximo possível do box e, daí, empurrá-lo do chão até lá. Naquela época, era proibido atendimento na pista.
Quando estou na curva atrás dos boxes, devia estar a uns 40 Kms, mas por ilusão devido a velocidade alta anterior, pensei que estivesse a uns 5 Kms.
Quando ponho o pé no chão para não deixar o carro parar, pois seria mais difícil empurrá-lo depois de parado, caio, me arranhando todo.
Levanto-me e consigo levá-lo aos boxes.
Eles põe mais óleo, saio, mas aí fundiu o motor, parando de vez, sem pontuar.
Emerson volta com Fitti-Porsche com apenas terceira marcha, devido problema no trambulador.Mesmo assim, vai descontando tempo.
Porém, perto do final, o trambulador solta de novo, ficando em ponto morto.
Ele faz um esforço danado e cruza a linha de chegada em terceiro, empurrando o carro, exausto e Zambello ganha.
Levamos o Karman-Ghia à Dacon e, lá, descobrem que era uma bobagem, tanto Moco quanto Paulo Goulart lamentaram que não tivéssemos ligado pra eles pra perguntar.
O problema? Simples : apenas uma mangueira havia dobrado e o óleo que teria que retornar ao motor estava saindo por ali...
Sidney Cardoso disse…
Outra prova com Karman-Ghia.
Não me pergunte a ordem cronológica, pois perdi minhas revistas Auto esporte e em meu ábum as datas desapareceram com o tempo.
Prova do Campeonato Carioca.
Como o motor 2000 estava sendo restaurado na Dacon, João Varanda Filho, "Jiquica", me emprestou o dele de 1.600cc, nas cores dele, ou seja, vermelha e branca.
No treino de sexta-feira faço o melhor tempo, 1.46.
Nos treinos de classificação o carro apresentou problema, os giros não subiam até 6.800 e o carro rateava antes de chegar a esta marca.
Vários mecânicos, os dele e os nossos, apanharam, não conseguindo resolver o problema.
Na corrida larguei assim mesmo, ficando em terceiro lugar.
Nisto dos boxes me dão sinal para parar.
Paro, um mecânico mata a charada, era platinado.
perdi duas voltas.
Volto, o carro está perfeito, consegui recuperar as duas voltas de atraso, chegando em terceiro lugar.
Anônimo disse…
Sensacional Sidney!!!!!!!!
Putz!!
Mangueira dobrada!
Enfiaram a corrida .....!

Rapaz essa dá uma tremenda coulna retrovisor!
Sorte do Mauricio.

Jonny'O
Sidney Cardoso disse…
Outra corrida, agora com motor Volkswagen, nestas cores que estão aí na ilustração. Acho que todas foram em 1968.
Esta, foi nas III Horas da Guanabara 68.
Ainda sem o motor Porsche 2.0, não iria correr.
Aí, liga lá pra casa, Fernando Calmon, falando o seguinte : - Sidney, sei que vc está sem motor Porsche.
Estou com um motor VW super-preparado e com carburadores duplos de Jaguar que são uma maravilha! Que tal fazermos uma perceria, correríamos em dupla, vc entrava com sua caroceria que é levíssima e eu com meu motor?
Respondi que iria pensar e depois respondia.
Alguém de nossa equipe, falou : - Tá maluco, quer passar de cavalo a burro! Depois de correr de Porsche vai de VW! Quer perder seu nome!
Vc nunca viu o Calmon correr, sabe lá se ele toca mesmo? Etc,etc.
A minha vontade de estar lá dentro foi maior e decidi correr.
Fomos a BRV, acompanhados do Antônio da Memória, para colocarem o motor em nossa carroceria.
Lá, estava tb o Antônio Ferreirinha e Herculano que deram uma mão.
Saímos de lá em direção ao autódromo, com o carro indo no chão, sem carreta, com nossa Kombi seguindo.
Aquele carburador era uma novidade e não conseguiram acertá-lo.
O carro foi afogando até parar no caminho do Autódromo.
Colocamos na carreta e ficaram de tentar acertá-lo lá.
Mexeram, mexeram e embora estivesse um pouco melhor, ainda estava rateando muito até que parou no meio da reta.(tenho filme e foto disso).
Ficamos alí, os mecânicos tentando acertá-lo e não conseguindo, vimos acabar o horário de tempo de classificação.
Só nos restava largar em último, pois não havia feito nenhuma volta completa.
Nisto, vem ao nosso encontro o grande piloto, pra mim um dos melhores do Rio, Ricardo Achar, que era um grande amigo e um baita mecânico.
Me chama num canto, fala pra mim :-Sidney, corri na Europa e conheço bem este carburador. É excelente, mas tem suas "manhas", se seus mecânicos não ficarem zangados, posso mexer nele?
Falei com os mecânicos e Ferreirinha, que havia sido mecânico do Ricardo na Europa,tb seu admirador, foi o primeiro a dizer que seria uma honra ele mexer, que Ricardo era excelente mecânico.
Em apenas 1 minuto, Ricardo consegue regular o carburador.
Saio pra experimentar, já bem tarde, com visibilidade ruim, pois já estava ficando escuro e...surpresa!!! O carro estava um "foguetinho", mesmo nestas condições, fiz 1.48s.
Pra vc ter uma idéia, o Moco com karman-Ghia Porsche 1600 havia feito melhor volta em 1.46s em outra corrida. Nesta estava com a Alfa P 33.
Foi uma alegria só para todos nós.
Meu pai com sorriso de orelha a orelha, começou a fazer planos.
Falou-me : - Faça como o Moco que vai deixar Marivaldo largar e pegará a Alfa depois pra chegar com o carro na bandeirada.
Quem chega, na bandeirada recebe mais destaque da imprensa.
Assim fizemos.
Calmon largou em último e foi passando um punhado de carros, se aproximando do pelotão da frente, lógico, sem chegar à P33.
De repente, na entrada do S, o acelerador prende no fundo. Ele teve que dar um forte freada pra não cair dentro do lago.
Ferreirinha, Memória e os ajudantes da equipe vão até lá.
Nesta época já era permitido fazer alguns reparos no acostamento.
Perceberam que a borboleta do carburador havia prendido.
Quando estão consertando, um deles, por infortúnio, deixa cair um parafuso dentro do carburador, daí, o parafuso cai dentro de um dos cilindros, danificando-o.
Peguei o carro com apenas três cilindros,e fomos assim até quase o final da corrida.
Fiquei num pega com Ferreirinha, não o mecânico, aquele que corria de Fórmula Vê e que estava correndo de Malzoni.
Aí, virou um círculo vicioso, na reta ele me despachava, no miolo passava ele.
Quando faltava poucas voltas para o final da corrida,o motor que já estava há muito tempo em três cilindros, parou de vez, mesmo assim, chegamos em sétimo lugar.
Abs.
Sidney Cardoso disse…
Lembrei-me, fiz apenas três corridas com o Karman-Ghia, antes de passar pra Lorena.
Vou narrar mais uma aqui, Jonny, mas te lembro que não sei se a ordem cronológica foi essa.
Só tenho certeza de que a primeira foi com o Karman-Ghia do Moco 2.0.
Nesta, última, tb nas cores que estão na bela ilustração do Maurício, com motor VW 1600.
Ainda sem o motor Porsche pronto, corri em parceria com Vicente Domingues, que corria de DKW, uma prova do Campeonato Brasileiro, chamada Prova Deputado Levy Neves.
Estávamos com um motor VW 1600, preparado, porém sem aqueles carburadores sensacionais de Jaguar.
Aliás, deixo uma sugestão, aqui, pro Dinho Amaral. Cara, se puder, tente comprar este carburador, ele é demais.
Se quiser, te dou o telefone do Ferreirinha que sabe bem que carburador é esse. Não me lembro se era Stromberg, ( é assim a grafia?) sei que foi uma surpresa bem agradável.
Bem Jonny, desta prova, não tenho muitas lembranças.
O que me lembro foi que perto do final, naõ me lembro por qual motivo, o carro ficou tb em três cilindros, parando antes do final.
Chegamos em décimo terceiro lugar.
Abs.
Anônimo disse…
Valeu Sidney!
Mais uma vez te agradeço por toda atenção.
Acho que o Mauricio deve ter gostado também.

Grande abraço!

Jonny'O
Show de bola.
Impagáveis...
Os 3...
Mauricio Morais disse…
Gente é uma honra poder ler tudo isto aqui no meu bloguezinho. Sidney viajei com a galera. Lindas histórias. O mundo precisa conhecê-las. Abs.
Anônimo disse…
Sidney, livro já!!! Abs, Fred.